
Ainda se lembram da magia da espera, na sua vertente mais real?
A nossa pedra viva Carla "cheia de vida dentro dela", como a própria dizia. A barriga parecia não ter mais para onde crescer. A espera temperada pela ansiedade. Será ele, ela? Será grande, pequeno? Como reagirei? Será que vai correr bem? Será...? Será...? As perguntas atropelavam-se, umas exteriorizadas outras
caladas pela vergonha ou pela estupidez de que se revestiam :) Perguntas nos futuros pais, perguntas em todos os que os rodeavam. Mas uma verdade única: TODOS esperavam o grande dia! O grande dia em que surgiriam, na forma de um puto enrugado e vermelhusco, as respostas a todas aquelas perguntas... vá... não a todas... para algumas respostas teremos que esperar alguns dias, meses ou mesmo anos!
O advento não é mais do que isto. Reviver as semanas que antecedem um nascimento importante. Porque é que cada vez nos é mais indiferente? Porque é que não temos mais curiosidade para saber como será? Resposta óbvia: "Já sabemos. Já se repetiu ano após ano desde que me lembro de ser gente." Mas... sabemos mesmo? Muda alguma coisa o dia tão esperado (ainda que simbólico) do nascimento do puto enrugado e vermelhusco que já foi homem e mudou a visão do mundo e até morreu e voltou a viver e agora acreditamos que está lá no céu a inspirar-nos e desenrascar-nos e iluminar-nos e mais umas tantas coisas que as palavras não chegam para descrever...?
Acredito que, como seres humanos [?] únicos e irrepetíveis, cada um de nós deve encontrar a melhor forma para viver esta espera pelo grande momento. É que... é mesmo importante! A espera, as perguntas, as expectativas vão mesmo moldar a forma como [re]vivemos o nascimento que mudou o [nosso]mundo!
Apesar disto tudo... e porque às vezes é difícil distanciarmo-nos da sociedade standardizante e consumista para vivermos este tempo, nada melhor que uma grande manif em grupo. Por isso dia 6 de Dezembro, na Gaf. da Boa Hora, vamo-nos juntar a outros que procuram viver estas últimas semanas de espera... talvez depois de "gritarmos" juntos mesmo as perguntas mais parvas, tenhamos coragem de no silencio conversar as nossas expectativas e, acima de tudo, coragem para na rua manifestar a força e o entusiasmo que adveio do dia especial...
Dia 6. Igreja da Gaf. da Boa Hora. Vem e traz amigos!
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